TRABALHISTA – Número de acordos em convenções coletivas tem queda de 45% após reforma trabalhista.

Publicado em: 16 de agosto de 2018 | Categoria: Sem categoria

No primeiro semestre de 2018, a quantidade de convenções coletivas fechadas recuou 45,2%, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo um levantamento feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). No mesmo período, o total de acordos coletivos caiu 34%. Na média, a redução foi de 39,6%.

A convenção precisa ser aprovada pelos sindicatos dos trabalhadores e dos patrões para ter validade. O acordo coletivo pode envolver apenas o sindicato e uma empresa.

Uma pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que na mesa de negociação também estão sendo discutidos pontos que sofreram alterações com a reforma trabalhista: revisão do intervalo intrajornada; contribuição sindical; homologação da demissão dentro do sindicato, obrigatoriedade que foi derrubada e que seria também fonte de financiamento sindical; banco de horas; e permanência da gestante em ambiente insalubre (confira abaixo).

O pesquisador da Fipe e responsável pelo levantamento, Helio Zylberstajn, afirma que entre os principais entraves às negociações trabalhistas estão a negociação salarial e até a contribuição sindical anual.

— Os trabalhadores resistem em aceitar percentuais mais baixos de correção salarial, baseados na inflação que, no ano passado, não passou de 2%, segundo o Í;ndice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). Além disso, os sindicatos dos trabalhadores propõe a incorporação, via convenção coletiva, de novas contribuições sindicais, como forma de financiamento. As empresas resistem — diz Hélio Zylberstajn, professor de Economia da USP e coordenador do Salariômetro da Fipe.

Contribuição sindical gera impasses

Para especialistas, o principal entrave à concretização das negociações até agora tem sido a interpretação dos sindicatos dos trabalhadores sobre a possibilidade de cobrar a contribuição sindical anual. Antes da reforma, era um desconto obrigatório que equivalia a um dia de trabalho. No entanto, em junho deste ano, o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou a tese de obrigatoriedade da cobrança.

— Os sindicatos estão tentando incorporar formas de financiamento via convenção coletiva. Os impasses estão reduzindo o número de acordos fechados. Tenho a impressão de que vai começar a voltar ao normal aos poucos, e o Judiciário vai se posicionar sobre várias questões — disse Decio Daidone, advogado trabalhista e professor do CEU Law School.

O segundo semestre é marcado por negociações de categorias importantes, como bancários, metalúrgicos e químicos, com impacto para milhares de trabalhadores. No Rio de Janeiro, o Sindicato dos Comerciários — que agrega 27 convenções coletivas e representa 350 mil trabalhadores na base — vê o recrudescimento das negociações salariais:

— No mesmo período do ano passado, a situação já estava mais encaminhada — disse Alexsandra Nogueira, presidente da entidade.

ENTREVISTA: ‘Temos um quadro de alta no desemprego e enfraquecimento dos sindicatos’, avalia Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Dieese

Qual é a agenda de negociação?

O que há de novo nas negociações é a tentativa dos empresários de readequar as convenções coletivas em aspectos em que julgam que a reforma é mais vantajosa para eles. Já os sindicatos avaliam que esses pontos precarizam as relações de trabalho e devem ser mantidos inalterados na convenção coletiva.

Qual é a consequência?

A consequência é a redução do número de acordos e de convenções porque as negociações estão muito mais difíceis. O tempo está sendo muito mais longo, em um quadro de desemprego alto e enfraquecimento dos sindicatos.

E o financiamento dos sindicatos?

Um ponto de divergência é a criação de novas contribuições, via convenção coletiva. O segundo tema mais presente foi o local da homologação das rescisões, com os sindicatos buscando assegurar na negociação sua participação, que deixou de ser obrigatória.

Notícias Empresariais

Por que tantos MEIs perdem o controle do faturamento?

02/04/2026

Muitos Microempreendedores Individuais acabam ultrapassando o limite de faturamento sem perceber! Isso acontece porque, na rotina do dia a dia,...

leia na integra

Jornada de trabalho e hora extra: como a contabilidade pode evitar erros e riscos

02/04/2026

Em muitas empresas, a rotina vai além do horário previsto. Demandas urgentes, prazos e ajustes operacionais fazem com que a hora extra se torne parte do dia a dia. Nesse cenário, a contabilidade tem um papel essencial...

leia na integra

Sociedade empresária e equiparação hospitalar: requisitos para reduzir impostos

02/04/2026

A maior parte das empresas médicas é estruturada para permitir que o atendimento aconteça, o faturamento seja realizado e os tributos sejam apurados dentro de um modelo previsível. A empresa existe, possui CNPJ, emite...

leia na integra

IRPF 2026: confira inconsistências mais comuns na declaração pré-preenchida que exigem atenção do contribuinte

02/04/2026

A declaração pré-preenchida do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2026 (ano-base 2025) segue como uma das principais apostas da Receita Federal para simplificar o envio das informações pelos...

leia na integra

Quanto posso faturar no CPF sem ter problemas com a Receita Federal?

02/04/2026

Para sair da informalidade ou mesmo para começar a empreender e tirar o sonho do papel, muitas pessoas acabam iniciando suas atividades apenas com seu nome, direto no seu CPF, sem ter um CNPJ aberto. Consequentemente, nessa fase, muitas...

leia na integra

Obrigado pela visita!

Copyright (c) 2026 - Todos os Direitos Reservados